A Polícia Civil de Pernambuco,
por meio de operação da equipe da 89ª Circunscrição, a 2ª DP de Caruaru, sob o
comando da Delegada Natália Araújo e do Delegado Alberes Cristiany Costa,
prendeu nesta quinta-feira (05), em Recife, a ex-defensora pública Maria Paula
Cavalcanti de Siqueira Campos de Oliveira, de 62 anos, condenada a 28 anos e 6
meses de reclusão pelo assassinato do próprio marido.
A captura ocorreu em via
pública, no bairro dos Torrões, zona oeste da capital pernambucana, e foi
realizada em cumprimento ao mandado de prisão expedido pela Vara do Tribunal do
Júri da Comarca de Caruaru. Segundo a decisão judicial, a ré foi condenada por
homicídio qualificado (art. 121, § 2º, I, do Código Penal), por ter agido com
recurso que dificultou a defesa da vítima.
Consta nos autos que Maria
Paula exercia o cargo de defensora pública até novembro de 2020, sendo também
advogada inscrita na OAB/PE. A Justiça determinou ainda a perda definitiva do
cargo público em decorrência da condenação.
Após a prisão, a sentenciada
foi apresentada à delegacia para os procedimentos legais e será encaminhada ao
sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça.
Maria Paula foi condenada em
2016 a 28 anos e seis meses de prisão por ser considerada mandante do
assassinato do próprio marido, o advogado e empresário Mário Celso Cavalcanti,
morto em 15 de setembro de 1999, no bairro Maurício de Nassau, em Caruaru. O
crime teve grande repercussão à época, especialmente pela frieza com que foi
executado e pelo envolvimento de várias pessoas.
O julgamento, que ocorreu na
Vara do Júri de Caruaru, foi presidido pela juíza Priscila Vasconcelos, que
determinou a prisão preventiva da acusada. No entanto, Maria Paula não
compareceu ao júri, mesmo tendo sido devidamente intimada, e passou a ser considerada
foragida desde então. A Secretaria da Vara do Júri confirmou que, além da
condenação, ela também foi afastada do cargo na Defensoria Pública.
Mário Celso, que tinha 50 anos
na época do crime, era conhecido no meio político local. Empresário do ramo
imobiliário, também havia sido secretário de Transportes na primeira gestão do
ex-prefeito José Queiroz. Na noite em que foi assassinado, ele chegava em casa
com Maria Paula e o filho mais velho, de apenas 12 anos. Quando estacionava o
carro na garagem, foi surpreendido por três disparos e morreu na hora. A esposa
e o filho estavam presentes.
A investigação revelou um
enredo de traições, rituais e interesses financeiros. O crime foi desvendado
com base no rastreamento de ligações telefônicas autorizadas pela Justiça. Em
apenas três semanas após o assassinato, foram registradas 157 chamadas entre
Maria Paula e a mãe-de-santo Maria Aparecida de Menezes, que também participou
do plano.
Foram presos e condenados:
Maria Aparecida, o taxista Luís Vieira (amante da mãe-de-santo), o pistoleiro
José Aélson dos Santos (apontado como autor dos disparos) e Ednaldo Cavalcante
da Silva, outro taxista, condenado a 25 anos e seis meses de prisão, mas
atualmente cumprindo pena em liberdade. Segundo as investigações, todos os
envolvidos receberam R$ 5 mil pelo crime — R$ 2 mil pagos antes da execução.
A motivação seria financeira.
Mário Celso estava negociando a venda de um terreno de 30 hectares na área do
Distrito Industrial, avaliado entre R$ 350 mil e R$ 400 mil, além de participar
da divisão de uma herança que somava cerca de R$ 700 mil, conforme relataram
familiares.
Fonte: Blog do Mário Flávio
